Esse trabalho se volta pro vazio e pra mutações do espaço onde, desde os anos 80, viveu meu pai. Na mesma casa onde morou com esposa e quatro filhos jovens, a partir de 2015, com 92 anos e viúvo, passou a viver sozinho. A casa e ele envelheceram juntos: chão riscado, paredes marcas, móveis desgastados, assim como sua pele e memória. Conforme a casa foi se esvaziando de pessoas, ele foi ocupando o espaço a sua maneira, com seus objetos e suas imagens favoritas: fotos datadas e plastificadas de vários assuntos de seu interesse - família, religião, vida militar.

 

O ambiente tornou-se uma extensão de seu corpo, um espelho do tempo que se esgarçava. Tudo ali tinha suas cores, seu cheiro, seus vazios.